Belregard



Belregard é um RPG, um jogo onde se interpreta personagens e vivencia-se histórias de horror em um cenário medieval cru e brutal, à imagem do que foi a idade média europeia após a queda do império romano. É um lugar escuro, envolto por uma era de trevas e ignorância, onde a única salvação da humanidade parece residir na fé, no Tribunal do Supremo Ofício, aos homens santos que interpretam as misteriosas parábolas do Criador, o Deus Pai. Não pense que esta religiosidade os coloca à parte das trevas que cercam o mundo. A bem da verdade, não importa para onde você corra ou onde tente se esconder, a escuridão não precisa te alcançar, ela reside dentro de cada um de nós. Todo homem e mulher de Belregard é capaz de feitos incríveis, seja para o bem, seja para o mal. São filhos abençoados do Criador, o que torna a corrupção ainda mais saborosa para o Inimigo, a Sombra Viva.

Arrisque-se neste mundo derrotado, entregue aos caprichos de uma força invisível que vive dentro do coração de cada mortal. Explore as ruínas imperiais, desbrave os ermos isolados, combata os inimigos de tua casa, de teu estandarte, no campo de batalha e na corte, onde uma língua afiada vale mais que a mais pesada das lâminas. Permita-se descobrir o monstro que existe dentro de você, quando perceber que está sozinho num mundo de mentiras e tormentos. Abrace a loucura que é saber sobre pesadelos vivos, enclausurados nos confins do mundo em covis que o próprio tempo tentou esquecer. Liberte-se deste julgo sombrio acendendo a chama divina deixada pelo Pai, torne-se um Arauto e combata a Sombra Viva, mesmo sabendo que esta é uma luta perdida. E lembre-se, ninguém olhará por você. Você está sozinho nas trevas. O Criador não mais lhe sorri da Abóbada Celeste, ela está vazia… Deus está MORTO!

Belregard é um jogo de terror medieval criado por Jefferson Neves e Rafão Araujo e publicado por meio do selo The Last Order por meio de uma campanha bem sucedida, fruto da parceria Lampião Game Studio & New Order Editora.



Um jogo focado na experiência proposta

Medievalismo, terror, fanatismo, isolamento e descoberta. Sobre estes pilares, cada detalhe foi pensado. Do sistema Crônicas RPG foi extraído o necessário para conduzir sessões focadas em cada um dos conceitos listados acima. E a isso se somam as adequações dos autores do jogo, inserindo elementos como o uso da Virtudes Únicas dos Arautos enquanto Bravura, a Corrupção e o encaixe das mecânicas ao universo ficcional de Belregard. E tudo que você precisa para jogar está neste livro. Sim, isso mesmo. Apenas com Belregard você poderá jogar.



Um cenário complexo, porém coeso

Belregard é um cenário que toma a experiência humana como referência, mas você não vai encontrar uma Europa ou uma América por ali. Cada Castelania (unidade política que se formou após a fragmentação do Império de Virka) possui aspectos próprios e únicos. Ainda que haja pontos em comum, como a relação entre a nobreza e a terra e importante questão em torno das heranças, o ethos de Parlouma não é o mesmo de Varning. Nesse sentido, para além das questões étnicas, do que há de específico a cada povo que habita Belregard, você terá a localidade onde ele foi criado ou vive no presente como definidor de inúmeros aspectos que darão cor e vida às personagens.

Ampla diversidade cultural

Há cinco grandes povos em Belregard. Contudo, eles não se resumem em “a etnia x vive na terra x”. Os Belghos, por exemplo, estão por todo o território e sua língua é a língua franca. Mas isso não significa que em Belghor, sua terra de origem não exista Dalanos ou Igslavos, por exemplo. As rotas estabelecidas no passado e inúmeras questões presentes que perpassam as atividades dos cavaleiros mercantes ou até mesmo a peregrinação para locais de fé apresentam possibilidades de intercâmbio. Antigas famílias podem ter fugido de guerras, se unido por laços matrimoniais. E mais, a vida acontece. Não pense que Belregard é um mundo estático e previsível, e a presença dos povos menores prova isso.

Para além do Belghos, Dalanos, Parlos, Vihs e Igslavos, cada um destes grandes povos possui algumas subdivisões, configurando as etnias menores. Variações dialetais, subdivisões e até mesmo rachas de clãs do passado geraram inúmeras etnias menores. Elas existem, possuem seus costumes e tudo é detalhado em Belregard. Então, se você deseja um jogo que valorize a diversidade cultural, vai curtir Belregard.



Uma peça de ficção

O próprio livro não é tomado como algo canônico. Isso significa que ele é parte da ficção proposta. Ao ler os três dos quatro tomos que Belregard possui, você terá a visão de alguém, de uma pessoa, sobre a história, geografia ou aspectos políticos do mundo. Há comentários, por vezes questionando ou desmentindo o que fora escrito. Afinal, é apenas uma pessoa, um ser falível que registra algo. A cada página você terá um gancho para uma aventura, para o histórico de sua personagem. Cada detalhe foi pensado para que você desenvolva e faça a SUA crônica de Belregard com seu grupo de jogo. E isso pode até mexer com o que foi estabelecido como algo canônico nos registro cronológicos de Belregard.

Por exemplo, foi estabelecido pelos cronistas que houve uma cisão em Brandevir, fazendo com que o antigo reino se fraturasse em duas Castelanias (Braden e Birman). Contudo, alguém pode ter um pergaminho indicando que essa fratura se deu por uma traição movida por interesses da família do Patrono dos jogadores. Sendo eles responsáveis por tirar isso a limpo, antes que ele tenha suas terras confiscadas e condenado em praça pública. Seria isso a verdade ou um ardil de uma casa rival? As personagens serão fiéis ao seu patrono ou o trairão, buscando maior poder e jurando lealdade à outra família? Pense em como apenas este gancho proporciona uma Campanha inteira.

Um fim que se aproxima

Belregard é escatológico. Isso não significa necessariamente que o mundo vai acabar, mas ele desce em uma espiral que parece sem retorno. O peso da grafia das páginas faz com que seja facilmente captado o clima de jogo. Como todos erram, são pecadores, a experiência ao jogar Belregard acompanha a estrutura do livro, fazendo com que haja um lento afundamento de cada personagem em suas idiossincrasias. É um jogo humano, cru, vil e nascido para a morte. Assim como nós.




Autores: Jefferson Neves e Rafão Araujo
Editora: Lampião game studio
Data de lançamento: 30 Agosto 2017

Comentários